NÓS, ALUNOS DA USP, RESISTIREMOS – NÃO À MILITARIZAÇÃO DO CAMPUS

A USP é nossa!

Todos os cidadãos devem apoiar a ocupação da Reitoria na USP. Nós, alunos iremos resistir.

Não é a primeira tentativa de militarização do Campus da USP que presencio nesta minha jornada de lutas pela liberdade. Também, decerto, não será a última. Desde 1961, quando consegui minha vaga no Bloco A do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), venho presenciando uma série de intentonas protagonizadas pelas forças nazi-fascistas, terroristas, golpistas e de extrema-direita.

Nos dias correntes, estas forças canalizam suas ações reacionárias através da mídia hegemônica e golpista, dos partidos de extrema-direita protofascistas (DEM e PSDB) e das forças proto-nazistas que materializam sua influência conservadora em enclaves presentes na própria Universidade (Escola Politécnica, FEA, IF e outros acampamentos de retaguarda do Malufismo reacionário).

As forças progressivas e os intelectuais da FFLCH e da ECA vem se pronunciando, contundentemente, contra esta nova orquestração. As leis legítimas, aquelas que são o direito encontrado nas ruas e que tratam os delitos de forma não equânime com vistas a obter a verdadeira liberdade revolucionária sãos as que devem nortear nossa reação e resistência.

O suposto delito de porte de entorpecentes por parte de três alunos desta universidade é apenas o lado da história descrita conforme as forças de repressão do estado, ou seja, a versão das forças de repressão tucanas. Deve ser reconhecido que aquilo que supostamente consiste em “crime”, segundo nossa legislação burguesa, não se caracteriza exatamente como tal segundo nossa ótica libertária.

Os frutos benéficos do consumo de drogas dentro do Campus são colhidos pela sociedade paulista e brasileira cotidianamente. Desnecessário seria lembrar mais uma vez, ainda que aqui esteja o fazendo, o papel libertador e de estimulação criativa das drogas. O entrave legal imposto por uma legislação moldada sob encomenda pela burguesia e pelos exploradores capitalistas não deve sobreviver ao olhar desde do direito achado nas ruas. Graças à esta reação relativizadora libertária, nós, os alunos da USP, pudemos brindar a sociedade com grandes profissionais nas áreas das Ciências Humanas, com obras e teses da mais suma importância na análise dos eventos sociológicos e, adicionalmente, pudemos inculcar uma mentalidade tolerante nas parcelas menos reacionárias e fascistas da sociedade.

Ademais, o consumo de “drogas” (coloco o termo entre as aspas pois não há elementos que sustentem que as drogas em questão – maconha, cocaína, LSD e crack – possam causar mais danos à saúde do que as drogas industrializadas comercializadas pelos barões do capitalismo – a Coca Cola e os sanduíches estadunidenses, dentre outros) é um importante “lubrificante social”. Desde 1980, os moradores do CRUSP vem estabelecendo superfícies de contato entre a sociedade esclarecida e que faz uso do produto (os Universitários) com os excluídos do sistema capitalista que foram marginalizados pela sociedade e que necessitam vender o produto devido à desigualdade social (burguesamente classificados como “traficantes”).

Muitos trabalhos de integração entre estas duas comunidades vem culminando em total sucesso, como o Projeto de Socialização da Comunidade São Remo. Os moradores marginalizados que recorrem ao expediente de comércio de “drogas” são convidados a conhecer o Campus e participar das confraternizações que ocorrem em várias unidades da USP, principalmente nas sexta-feiras à noite. É neste contexto de participação e politização das comunidades menos favorecidas e excluídas em que eventualmente ocorrem os “delitos” de consumo de “drogas” e pretensos atentados contra a propriedade privada.

Posta esta linha argumentativa, fica claro porque parcelas reacionárias dos alunos do Campus pedem a presença de repressão da Polícia Militar na USP. Inconformados com os direitos obtidos por alunos e comunidades carentes próximas, os reacionários pretendem barrar a marcha da história. Números alegam que 98% dos alunos são a favor da presença da PM no Campus. Nós, os 2% esclarecidos, encarnaremos a máxima de Adorno: somos a consciência possível da comunidade universitária. As grandes revoluções humanas sempre foram movidas por uma elite intelectual pouco numerosa. Nós seremos estes.

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